Unidos em oração

Terço dos Homens. foto PAUTY ARAUJO

Por Daniele Fernandes e Manoel Tupyara

O movimento do Terço dos Homens nasceu no Brasil há alguns anos, de forma espontânea. Consiste em rezar o terço de forma meditada, na opinião do arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, Minas Gerias, Dom  Gil Antônio Moreira, assistente espiritual nacional dos Terços dos Homens.

Na opinião de muitos religiosos, o Terço dos Homens está longe de ser um movimento de devoção machista, mas um instrumento de fé, de resgate para a Igreja Católica, pois é grande a participação das mulheres nas homilias e o comparecimento masculino é bem inferior;

Segundo o padre Edmar Augusto, da Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Centro do Rio de Janeiro, hoje é expressivo o número de homens, fato que impulsiona as comunidades, juntamente com as mulheres.

Há um serviço nacional que une em torno de si os mais variados e diversos grupos diocesanos, cada um com suas características próprias. A frente dessa congregação está dom Gil, que tem a finalidade de conectar várias equipes de peregrinos que vão anualmente ao Santuário de Aparecida do Norte, em São Paulo.

Os homens que participam do Terço cada vez mais se embalam nas celebrações eucarísticas, leem a bíblia, estudam o catecismo da Igreja Católica, e multiplicam iniciativas para ajudar os irmãos mais desfavoráveis.

O arcebispo de Salvador, Bahia, Dom Murilo S. R. Kriger, Primaz do Brasil, comunga da mesma opinião de outros religiosos, que o Terço dos Homens não é uma atividade; para ele, o Terço é uma iniciativa que nasceu em vários estados e continua a se propagar.

Para o arcebispo Dom Murilo, muitos dos homens nunca tiveram prática religiosa, não frequentaram igrejas e nem sabiam como rezar o Terço. Mas, se multiplicaram e plantaram raízes em todo o País.

Segundo o ponto de vista do arcebispo de Salvador, Nossa Senhora queria atrair os homens para a igreja de seu filho e começou a adotá-los. Eles se reuniam em grupos, simplesmente para rezar o Terço.

O frequentador do Terço dos Homens, João Victor Ralile de 16 anos, estudante, afirma que a iniciativa é uma grande bênção de Deus e Nossa Senhora em sua vida. Foi a partir do Terço dos Homens que conseguiu aprimorar cada vez mais a sua fé. “Foi ali que eu descobri que o terço não é só uma oração para senhoras, mas  para todos. Pois é por meio dele que podemos salvar a humanidade, como disse a Virgem Maria em uma de suas aparições”. Ele garante que o Terço o transformou em uma pessoa melhor, mais feliz. Atualmente o Terço dos Homens faz parte de sua rotina, como um compromisso essencial.

João Victor ressalta que os católicos não devem deixar de rezar o terço, pois é uma oração fortíssima e, por meio dele, são conseguidos diversos milagres. “Rezem por vocês, por todas as pessoas, pelo Brasil, pelo mundo. Estamos em um caos, mas tudo pode ser mudado pela oração”- assegura Victor Ralile.

Paulo Miranda, 60 anos, engenheiro civil que frequenta o Terço dos Homens desde dezembro de 2016 define a iniciativa como uma experiência que trás paz ao coração e aumenta a fé no Catolicismo Apostólico Romano. Diz que é um momento profundo de oração e fortalecimento da fé em Nossa Senhora e Jesus Cristo. “O Terço dos Homens mudou a minha vida em alguns aspectos: compromisso de rezar em conjunto com meus amigos, aceitar as intenções por oração alheias e ainda poder trazer as minhas e ter notícias que nossas orações trouxeram alívio e resultado para quem as pediu”- explica Paulo Miranda.

Já para o estudante de arquitetura Alexandre Uhlmann, 21 anos, que participa do Terço dos Homens há aproximadamente um mês e meio, esta iniciativa significa o fortalecimento da fé mediante uma devoção importantíssima para igreja. Segundo Paulo Miranda. os homens geralmente são mais reservados em relação à fé.

– Significa muito também, nós nos reunirmos, no final de um dia de trabalho ou estudos, para rezarmos em comunidade. Mostra certa força e sede de santidade, que muitas vezes não é demonstrada. A reunião dos homens então, acaba influenciando e servindo de testemunho e chamando outras pessoas”- explica Alexandre.  Ele ressalta que caem por terra certos estigmas de que grupos de oração são predominantemente femininos. “Através do Terço dos Homens assumimos a responsabilidade de rezar pela comunidade e pelas intenções de todos”- finaliza

Angela Randolpho Paiva, socióloga e professora da PUC-Rio, diz que a igreja católica, diferentemente das igrejas protestantes, sempre abrigou grandes variedades de orientações no seu universalismo. Por exemplo: na década de 60, um segmento mais progressista da igreja conviveu com a Tradição, Família e Prosperidade. Desde os anos 1980 a Igreja tem convivido com o fenômeno dos carismáticos, incentivado pela Igreja num momento de grande aumento das igrejas evangélicas.

A professora explica que isso elucida a adaptação feita pelo Terço dos Homens no Brasil e na América Latina. São variações bem possíveis nessa virada de uma Igreja mais comunitária.

Angela acha que impressiona o espírito segregacionista. Não enxerga isso como um retrocesso, mas sim uma variante de outras igrejas que surgem na própria Igreja Católica. O clero, segundo ela, há sempre de cumprir as linhas-mestra de Roma, pois o nosso país é pródigo na adaptação de comunidades religiosas que chegam de fora e aqui adquirem características próprias.

O padre Edmar Augusto entende esta concentração como uma obra profética na vida da igreja. “Numa época em que se vive crise de paternidade, no rumo de que muitos homens não são exemplos para os semelhantes. Uma gama muito grande deles não sabe qual o seu papel perante a sociedade e se esquecem de ensinar os mais jovens a viver, características masculinas como dar a iniciação ao próximo, dar estímulo e ser solícito” – frisa.

Com avaliação distinta, Ivanir dos Santos, babalorixá, disse que em todas as comunidades religiosas há papéis para homens e mulheres. “Mas que não são em nenhuma situação, superior ou inferior. E sim complementares para que haja equilíbrio harmônico com o sagrado. Obviamente que as formas de comunicação com o sagrado, entre homens e mulheres, são diferentes, pois nos foi dado à dádiva de sermos semelhantes em matéria, diferentes nas personalidades, mas, acima de tudo, complementares.”

Ao ser questionada sobre o Terço dos Homens, a Congregação Israelita Paulista explicou que a religião judaica é igualitária e acredita que homens e mulheres têm os mesmos privilégios de acesso ao culto religioso. Porém, reserva-se ao direito de não emitir opinião sobre a prática de outras expressões religiosas. A Comunidade Evangélica também preferiu não emitir uma posição a respeito do Terço dos Homens.

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