Venezuela já prepara eleição para Assembleia Constituinte

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

A proposta de uma Assembleia Nacional Constituinte na Venezuela está em andamento, mas as informações que a mídia comercial conservadora divulga em seus espaços nos mais variados rincões deixam a desejar, ou seja, não espelham a realidade e objetivam tão somente levar a opinião pública à rejeição da ideia. Trocando em miúdos, tentar de todas as formas que a opinião pública rejeite a ideia.

Leitores, telespectadores e ouvintes desconhecem, por exemplo, que os venezuelanos dos mais diversos quadrantes poderão se candidatar para deputado constituinte, desde que tenham apoio de 3% dos eleitores.

E também que nos próximos dias o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disponibilizará em seu site o formulário para os venezuelanos que queiram se candidatar para a Assembleia Nacional Constituinte.

A eleição está programada para acontecer no próximo mês de julho, mas a oposição que tenta de todas as formas derrubar o governo do Presidente Nicolas Maduro já tomou a posição de boicotar a Assembleia Nacional Constituinte.

Os oposicionistas querem continuar convocando seus seguidores para irem às ruas e contam com o apoio externo para deflagrarem atos de violência com acusações de que a responsabilidade pelas mortes em confrontos é das forças governamentais.

Há denúncias segundo as quais há manifestantes pagos para promoverem a violência, mas tal fato não é divulgado, porque prevalece na mídia comercial somente a versão comprometendo o governo.

Mas voltando à questão da Constituinte, vale assinalar informação divulgada pela presidenta do CNE, Tibisay Lucena, segundo a qual serão eleitos 545 deputados constituintes, dos quais 364 representarão seus municípios. Quer dizer, cada município da Venezuela elegerá um deputado e os eleitores das capitais dos Estados elegerão dois representantes.

Outro fato ignorado pelos jornalões e telejornalões é que os povos indígenas que habitam o território venezuelano elegerão oito deputados e os diversos setores sociais e econômicos terão 173 deputados no total.

Para conhecer mais detalhes sobre o processo da escolha dos representantes vale assinalar que a candidatura de um postulante inscrito pelo formulário no site só será validada se conseguir comprovar os 3% dos eleitores do seu próprio setor inscritos no CNE. Ou seja, qualquer profissional, digamos professor, pescador, engenheiro e outros de qualquer atividade terão de correr atrás de seus apoiadores, também de sua profissão, para oficializar a candidatura.

Mas vale sempre lembrar que os oposicionistas além de não aceitarem o diálogo, fato já denunciado pelo Papa Francisco, não só consideram o processo como “fraude constitucional”, como também que se trata de “mais uma etapa do golpe de Estado que o governo Maduro e seus seguidores seguem levando adiante”.

São raras as publicações que aqui no Brasil noticiam fatos sobre o andamento da Assembleia Nacional Constituinte. Vale destacar, entre esses, o jornal eletrônico Brasil de Fato (www.brasildefato.com.br), uma leitura fundamental para aqueles que procuram informações fora do padrão corrente da mídia comercial conservadora.

Por aqui se divulgou com constância a informação de que o governo Maduro tinha suspendido as eleições para governadores e que não estaria disposto a convocar, mas nestes dias foi noticiada, praticamente sem nenhuma divulgação do Oiapoque ao Chuí, que foi fixada a data de 8 de dezembro para esse pleito.

É preferível não informar sobre a data do pleito, porque isso automaticamente tira força da oposição que não se cansa, ou se cansava, em assinalar que o governo Maduro impede a consulta popular.

Na verdade, os oposicionistas correm contra o tempo e querem de todas as formas apressar uma eventual derrubada de Maduro e evitar que a economia do país se recupere com o preço do barril de petróleo atingindo patamares anteriores ou pelo menos próximos e que desde a primeira eleição do Presidente Hugo Chaves possibilitou a aplicação pelo Estado de um orçamento que resultou na melhora do padrão de vida de amplas parcelas da população.

Recentemente, uma correspondente internacional de um dos jornalões que se dedica a “noticiar” sobre os acontecimentos na Venezuela se admirava porque os moradores dos bairros populares de Caracas não aderiam aos protestos apoiados sobretudo pela alta classe média para cima. A resposta pode ser cristalina: por mais que haja uma crise econômica como agora, esse setor sabe perfeitamente, pelo que já viveu em outros tempos quando dois partidos AD (Ação Democrática – partido de tendência social democrata) e Copei (Comitê de Organização Política Eleitoral, partido seguidor dos parâmetros democratas cristãos) passaram a se revezar no poder, a situação para eles, os menos abastados, não era nada confortável. Por isso não aceitam se aliar com esses setores, pois sabem historicamente que se eles voltassem ao poder a situação seria muito pior do que a de hoje com toda a crise.

Essa é a realidade atual na Venezuela, cujo governo se encontra pressionado internamente e externamente por setores que querem de todas as formas o retorno de um tempo passado em que os ricos mandavam e desmandavam em detrimento dos que vivem nos bairros populares.

Um tempo em que o petróleo só favorecia a pequenos grupos que controlavam a economia.

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