Visitante ilustre de Macri protege ex-agente da ditadura argentina

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

Na Argentina figuras expressivas, entre elas o Prêmio Nobel da Paz-1980, Adolfo Pérez Esquivel, repudiam a visita do Primeiro Ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, marcada para esta semana. Como se não bastassem às atrocidades que o governo israelense comete contra os palestinos nos territórios ocupados, Netanyahu ainda por cima protege um ex-agente repressor do criminoso Rafael Videla.

Segundo ainda Pérez Esquivel, o ex-agente Teodoro Anibal Gauto, que vive em territórios palestinos ocupados por Israel desde 2003,  é protegido por Netanyahu, tanto assim que o acusado pela corte Penal Internacional de Haia de cometer crimes de lesa humanidade teve negado pelo governo de Israel pedido de prisão inclusive a pedido da Interpol.

Maurício Macri, que recepcionará Netanyahu tem a obrigação moral,  se é que a tem, de pedir e exigir a extradição para que Gauto seja julgado na Argentina pelos crimes de que é acusado. Se não fizer isso estará compactuando com crimes do regime sanguinário que resultou em 30 mil desaparecidos durante a ditadura militar vigente naquele país. E há denúncias segundo as quais Maurício Macri pouco se imprta com a impunidade de criminosos daquela época de trevas.

É bem provável que Macri fique calado, como geralmente procede  qualquer pessoa que compactue com o regime repressor dos militares assassinos.

Os que defendem Netanyahu e Macri alegam que a proximidade entre os dois se deve ao desejo de ambos de ampliar laços comerciais entre os dois países. Mas só que Israel tem movimentado a sua indústria armamentista em países da America Latina, o que na prática interessa muito mais a certos governos como o da Argentina que não primam pela defesa dos direitos humanos.

Estão previstas em Buenos Aires várias manifestações de repúdio a visita de Netanyahu, da mesma forma que na Colômbia, país cujo governo também recepcionará o Primeiro-Ministro, interessado em escoar os produtos da indústria armamentista de Israel.

Mas quem pensa que neste espaço não cabem mais informações sobre ocorrências relacionadas com a viagem de Netanyahu, engana-se.

Nestes dias, segundo se denuncia, dois militantes populares, integrantes das Assembleias do Povo,   que protestavam, em Buenos Aires, contra a visita de Netanyahu  foram vítimas de violências. Sem divulgação da mídia comercial, os dois manifestantes foram sequestrados e levados à Embaixada de Israel, e lá espancados e ameaçados de morte, possivelmente por agentes do Mossad.

Os dois conduziam cartazes com dizeres de repúdio ao visitante que será recebido festivamente por Maurício Macri.

O que aconteceu na capital argentina, ainda segundo a denuncia, remete a interrogação segundo a qual o serviço secreto israelense, o Mossad, está presente nas ruas de Buenos Aires e atua em conjunto com repressores argentinos, os mesmos que até agora não responderán a pergunta corrente “onde está” o defensor dos direitos humanos Santiago Maldonado, desaparecido desde o último dia 1 de agosto quando particiava, na Patagônia, de manifestação em defesa dos indígenas mapuches?

E para finalizar, vale destacar a informação, também sonegada pela mídia comercial, segundo a qual o chefe do Comando Sul estadunidense, Almirante Kurt Tidd, assegurou recentemente ao Comitê de Serviços Militares do Senado norte-americano que a crescente “crise humanitária” venezuelana “poderia acabar exigindo uma resposta a nível regional”.

Nesse sentido vale destacar a designação de Liliana Ayalde, como Diretora Adjunta para Assuntos de Política Exterior do  Comando Sul. Como se sabe a referida Ayade foi embaixadora dos Estados Unidos tanto no Brasil como no Paraguai por ocasião dos dois golpes de estado que resultaram na derrubada de Dilma Rousseff e Fernando Lugo.
Outra pergunta que não quer calar: qual o interesse do Comando Sul estadunidense em promover exercícios militares conjuntos na Região Amazônica, próximo da fronteira com a Venezuela, com os Exércitos do Brasil, Colômbia e Peru?