Viver não é preciso

Antes de mais nada, é necessário que o leitor tenha estômago forte e desejo real de mudança. Os tempos turbulentos impostos pelo sistema, vem como trator empurrando velhos conceitos, tirando direitos e vindo com violência não importa quem esteja na mira. O conceito de felicidade vai mudando dentro de todos nós, à medida que o tempo vai passando, ainda mais quando a vida vai ficando mais difícil de desfrutar as amizades, as paisagens e a liberdade. O homem se sente completamente feliz quando não se preocupa com as relações com o vil metal, o amor não correspondido e suas fantasias dentro da sociedade. Quando consegue abstrair ao ponto de desfrutarmos dessa felicidade, muito bom, mas viver com essa habilidade e saber que outras pessoas não tem a mesma felicidade, também traz angústia. Principalmente aquelas que estão muito à margem da sociedade.

Ministério do Trabalho publicou a portaria nº 1129/2017 que inviabiliza o enfrentamento a escravidão no Brasil. Tudo para poder ter apoio para se livrar do processo, o presidente faz acordo com a base agrária, que conta com opositores descontentes, que essa reforma que beneficia seus negócios não tenha entrado ainda em discussão. Se estão acabando com os direitos trabalhistas na área urbana, por que não na agrária? Por que não acabar com a floresta para pasto, sem se preocupar? Por que não perdoar dívidas milionárias com o governo? Por que não voltar aos tempos dos barões? Por que não voltar a escravidão? Um país em que a escravidão foi vigente durante 350 anos, e mesmo após a abolição forçada para entrada definitiva do capitalismo, os mesmos negros e seus descendentes não conseguiram ter seus direitos assegurados e ainda foram excluídos socialmente. Quando começou um trabalho para incluí-los através de cotas e maior acesso, agora temos esse retrocesso avalizado em troca de votos.

“Trabalhar o suficiente para não ter que trabalhar”. Ouvimos sempre essa frase, em um contexto onde o patrão aperta o empregado, usando o emprego como moeda de troca. Libertar-se das convenções, ainda que anticonvencional, está sendo a saída para muitos. Perceber, mesmo que tardiamente, que sua saúde, não vale um carro do ano na garagem. A frase, só faz sentido para os herdeiros de grandes marcas, enquanto a grande parte da população é oprimida, chegando ao fim do período de trabalho de uma vida, não ter nada com que comemorar. Aliás, foi revogado até o direito a aposentar no tempo justo…

Um famoso grupo de moda, foi recentemente condenado pela justiça do trabalho, por constatar que mulheres que ganhava um salário de R$ 550; eram submetidas a metas como a colocação de 500 elásticos em calças por hora, sem condições propícias e sem direitos ou apoios médicos. O que dizer das empregadas domésticas, que são submetidas a tempos exaustivos e a todo e qualquer pedido? Só faltam os grilhões.

Precisamos ter a consciência leve, ao ponto de nem sentirmos consciência. Se vender tão caro que não haja preço para pagar.

O governo se caracteriza pela destruição de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento e com violações de direitos humanos. Rasga compromissos internacionais e despreza a Constituição Federal. Temos uma dívida com a escravidão e cada um é responsável por não existir mais esse mal, assim como qualquer opressão direta a qualquer pessoa. Estamos deixando que esse mal seja alimentado e que à força seja estabelecido. Onde ficou sua indignação? Onde ficou os movimentos nas ruas?

Temos que desejar o contrário. Comer maçã na hora que dá vontade. Mesmo lembrando que a maçã é um símbolo. Coma o símbolo. Jogue fora os relógios, apague os alarmes, deixe de lado seu celular por algum momento. Não seja empregado nem patrão. Não limite seu ir e vir. Navegar é preciso, mesmo não tendo o barco. A verdadeira felicidade é a paz dentro de sua casa. Recomendaria duas ou três casas, mas tendo uma já é um começo.

Venda sua chácara em estado de sítio. Se você concorda com o trabalho escravo, você ainda precisará de muito tempo para sua elevação espiritual, e paz não será seu objetivo, mas de qualquer forma, faça sua parte começando uma nova história e mostre sua indignação de alguma forma. Se você é contrário, ajude nas pequenas ações e lute sempre. Sempre.