Zé Carioca comemora 74 anos de pura malandragem

Do Solidário, por Paulo Araujo

 

Carioca, famoso internacionalmente, apesar dos 74 anos, completados em abril último, ele tem o corpinho e vitalidade de um garotão de 20. O ilustre personagem é o papagaio Zé Carioca. Ele foi uma das grandes armas de propaganda norte-americana contra o avanço do comunismo na América Latina durante a Guerra Fria.

A malandragem do Carioca vem de longa data: Zé Carioca foi idealizado como um papagaio malandro e preguiçoso criado no Brasil durante a passagem de Walt Disney por países da América Latina, em missão política para pedir apoio de nosso governo aos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. O papagaio, símbolo da malandragem, teve a co-criação atribuída ao cartunista J. Carlos e reza a lenda que foi inspirado em Paulo da Portela, Cidadão Samba na época, com seu inseparável guarda- chuva. O personagem também incentivava a divulgação do samba a outras culturas.

A história do Zé começa a se desenrolar após a terceira Conveção Sul-americana de Vendas, em 1941, patrocinada pela RKO, que recebeu nada mais, nada menos que o já então renomado Walt Disney. Na época foi exibido o curta-metragem de sua autoria, “Fantasia”, que encantou a plateia latina- americana. Pouco tempo depois o desenho “Alô, amigos!”, lançado em fevereiro de 1943, teve um grande sucesso na solidariedade hemisférica. Seguindo este viés, os estúdios Disney buscou criar tipos que ajudassem a realçar a solidariedade panamericana.

Foi através deste curta que nasceu o popular “Zé Carioca”, o papagaio verde e amarelo. Posteriormente, em “Você já foi à Bahia?”, no ano de 1945 ele se tornou internacionalmente conhecido. No desenho, o visitante americano que vem ao Brasil, é o astro dos quadrinhos Pato Donald, o símbolo por excelência do “americano comum”, que encontra o “Zé”. Donald é um pato, vestido de guarda, e por serem ambas as aves domésticas, criam uma afinidade. Zé Carioca é muito falante, muito sagaz, e mostra- se fã de Donald. O papagaio sente um imenso prazer em conhecer o representante de Tio Sam  e logo em seguida faz o convite para que o ilustre visitante venha conhecer as belezas e os encantos do Brasil. E com um abraço, bem brasileiro, selam uma amizade, e Donald aceita prontamente o convite para conhecer o Brasil.

Donald fica extasiado com as paisagens e ritmos brasileiros e encantado com a primeira baiana que encontra. O curioso é que os estúdios Disney tomaram o cuidado para que as baianas e os baianos apresentados na fita fossem brancos. Para fugir do apelido de “macaquitos”, que argentinos aplicavam aos brasileiros, ou para não desagradar as plateias americanas. Esse encontro histórico feliz se dá num pano de fundo musical escolhido a dedo – Aquarela do Brasil, Tico-Tico no Fubá e O que é que a Baiana Tem? –  e conta com um requintado apuro técnico da indústria de filmes de Hollywood.

Mas o Zé que brasileiros aprenderam a gostar fez sua estreia no mundo do entretenimento em 11 de outubro de 1942, nas tiras de jornais dos Estados Unidos. Durante poucos anos, Zé Carioca gozou de popularidade naquele país, protagonizando tiras e histórias completas exclusivas para os gibis, produzidas por grandes nomes dos quadrinhos da turma de Patópolis, cidade dos quadrinhos.

Com o tempo, o sucesso do papagaio malandro acabou nos Estados Unidos. Por lá, atualmente, ele não passa de mais um nome perdido em meio a muitos personagens, o que não o impediu de fazer uma aparição relâmpago no premiado filme Uma cilada para Roger Rabbit, em 1988. Mas por aqui, o Carioca malandro, com sotaque de gringo, continua dando o que falar nas tiras de quadrinhos.

 

Fantasia (1941)

https://www.youtube.com/watch?v=LfZ6pJ5Kaqs

 Alô amigos (1943)

https://www.youtube.com/watch?v=CODjUu0Y6vs

 Você já foi a Bahia (1945)

https://www.youtube.com/watch?v=OLDgiRGJJB4